Wednesday, October 11, 2006

Bold statements

Como diria meu tio, tem 4 coisas que deveria ser proibido tentar convencer os outros a fazer: mudar de partido, mudar de religião, mudar de time, e comprar produtos Amway (rs).

Mas me sinto na obrigação de externar minha posição nesta eleição tão importante para o meu país.

Acho enganoso tomarmos a nossa decisão de voto com base nos "rótulos" que a mídia e os partidários mais aguerridos ficam nos empurrando goela abaixo:
- Os pró-Alckmin levam a discussão pro campo do "competente" contra o "incompetente", do "ético" contra o "corrupto"
- Os pró-Lula insistem no "do povo" contra "da elite", "social" contra "reacionário"

Lula não é tão incompetente assim, e nem Geraldo é tão reacionário; da mesma forma, Geraldo não é tão ético assim, e Lula não é tão "do povo". Poderia escrever parágrafos e parágrafos a respeito, mas não é o caso.

A pergunta que importa é: já que os candidatos são tão parecidos, como tomar a decisão?

Pra mim (que votei Cristovam no primeiro turno), a decisão é entre modernidade e retrocesso. Entre mérito e clientelismo. E nesse caso a escolha é Alckmin. Votar em Lula é perpetuar erros, e se enganar que estamos melhorando.

Votar em Lula é perpetuar o clientelismo - a prática da política de favores, de toma-lá-dá-cá, de esmola pro pobre em troca de voto. Lula infestou a administração pública com "companheiros", ex-sindicalistas que nada ou pouco entendem de gestão e ficam cumprindo papel de Rainha da Inglaterra nas empresas públicas, loteando cargos e decisões. Práticas de administração pública no Brasil seriam consideradas abomináveis nas empresas de ponta do país, e ainda assim persistem sob as vistas grossas do Presidente.

Votar em Lula é ir na contra-mão da eficiência estatal. Estado eficiente não é Estado mínimo - é Estado que sabe gastar. Nem quero entrar na discussão do Aerolula, por exemplo; vamos falar de inchaço da máquina. Claramente o Brasil tem mais servidores públicos do que precisa. É por isso que os impostos são tão altos, é para custear essa estrutura. Estado forte não é Estado inchado - é estado bem desenhado e com instituições sólidas. E Lula não tem feito nada pra levar o Brasil nessa direção.

Votar em Lula é se enganar que estamos ajudando os pobres, quando na verdade tapa-se o sol com a peneira. Lula gasta com a esmola do Bolsa-Família mas não propõe solução para desenvolver o Nordeste economicamente. Não acho que o Bolsa-Família deve acabar (o nosso problema de distribuição de renda é tão grave que exige soluções drásticas), mas queria ver uma solução de médio-longo prazo para a pobreza sendo desenvolvida em paralelo. Lula não tem nenhuma.

Votar em Lula é se enganar que estamos indo contra o "demônio neo-liberal". Lula não baixou as taxas de juros de maneira significativa para promover o desenvolvimento, mesmo com a economia mundial em expansão. FHC, em contrapartida, aumentou juros pois teve que lidar com sucessivas crises econômicas de âmbito global (México, Rússia, Ásia, Argentina). Lula não entende nada de macroeconomia e só pensou em não "incomodar o mercado".

Votar em Lula é se enganar que a política externa é de sucesso. Vou até dedicar mais parágrafos a isso, pois é impotante. Capa da revista The Economist da semana passada falava que Lula cada vez mais perde espaço para o louco Chávez no jogo geopolítico. E não me venham falar que a The Economist foi comprada pelo PSDB... (essa foi a Veja - e essa é um lixo mesmo).

O Brasil passou a ser menos relevante mundialmente, como demonstrado pelas candidaturas ignoradas nas votações para secretário-geral da OEA, da OMC e de vaga no conselho de segurança da ONU. Evo Morales humilhou o Brasil ao tomar as refinarias da Petrobrás - e Lula ainda disse que o cara tava no direito dele! Só porque é mais um "companheiro", Lula não quis bater de frente. Até o Kirchner demonstrou muito mais culhão do que Lula jamais teve, ao decretar moratória e sair ganhando.

Outro argumento frequente dos petistas é que Lula investiu no Mercosul. Vamos acordar para o fato que o Mercosul está falindo!!! Bloco econômico de sucesso é aquele onde os paises integrantes se unem para serem mais fortes no tabuleiro global. E o que houve no Mercosul? Argentina e Uruguai estão colocando cada vez mais sanções aos produtos brasileiros, e vão fechando acordos bilaterais com os EUA. O Chile, que seria um ótimo parceiro, debanda e fecha mais acordos bilaterais ainda! Até o celebrado Celso Amorim, no fim das contas, negociou "tão bem" que a Rodada Doha da OMC foi pro espaço. Ou seja, perdemos infinitas oportunidades de vender mais nossos produtos, mas "mantivemos nossos interesses soberanos"... zzzz....

Como prova de que não está funcionando o Mercosul, basta ver que, ao invés de se unirem, as indústrias calçadistas de Brasil e Argentina se digladiaram, e agora ambas estão minguando por causa da concorência chinesa. Só em Novo Hamburgo-RS 20.000 pessoas perderam o emprego porque as fábricas fecharam. 20.000! É mais que a fábrica da Volks em SBC.

A discussão Lula-Alckmin também não é sobre economia; acho que a essa altura ninguém mais se ilude com isso. No fundo, ambos buscam a mesma orientação econômica, que é a social-democracia. Aliás sugiro ler um pouco sobre social-democracia no link

http://en.wikipedia.org/wiki/Social_democracy

Corrupção, não dá pra garantir que não vai haver. Aliás, infelizmente, o mais provável é que continue havendo - 4 anos é muito pouco pra acabar com um mindset de 5 séculos (novamente sugiro ler "Raízes do Brasil" do Sérgio Buarque de Hollanda). Mas não votar em Alckmin porque abafou CPIs e votar em Lula após a quebra do sigilo do caseiro é, no mínimo, hipocrisia.

Por fim, queria acabar com esse mito de que privatização é coisa do demônio. Telebrás privatizada significou melhora gigantesca na prestação de serviços de telefonia. Vale prvatizada criou uma companhia "classe-mundial" ao invés de um elefante branco. Banespa privatizado tem aumentado o crédito no Estado ao mesmo tempo em que presta melhor serviço. E com essas companhias tendo mais lucro, elas pagam mais imposto e o Brasil ganha; elas sendo estatais inchadas, NÓS é que temos que pagar impostos pra sustentá-las. Querer ficar com as estatais é que nem um pai que não quer que o filho saia de casa porque não quer que ele saia da sua vista.

Se eu acho que Alckmin é perfeito? Não!!! Longe disso. Não tem nem cara de estadista. Mas ele é uma aposta pela modernidade do Estado, por um Brasil que funciona, e que, funcionando melhor, pode prestar serviços básicos de muito mais qualidade; funcionando melhor, tem economia mais forte, com mais empregos e portanto mais renda, sem precisar de esmola pra ninguém. Eu acredito nesse círculo virtuoso e é isso que me fará votar nele.

Também tornaram-se vazios os argumentos de votar no Lula "pela causa", pelos "trabalhadores". Esse argumento é totalmente válido para votar na Heloísa Helena. Lula e seus amigos só querem transformar Brasília na sua casa-grande.

2 comments:

Fabiano said...

very well writen!
Pedrão...na boa...vc tá perdendo tempo no seu trabalho! Vc tem que ser colunista rapá! Prefiro ler seu blog ao ler a Veja! hehehehe

Anonymous said...

Olá,
Ficou muito boa essa coluna.
Posso passar para alguns amigos?
Bjo
Tha